Veja como os carros dobráveis podem solucionar o caos urbano


Hiriko Fold, o carro dobrável que estreará, em breve, na Espanha (Fonte da imagem: Reprodução/Hiriko)
Dirigir não é uma tarefa fácil. Principalmente quando estamos falando de metrópoles em que a frota de automóveis extrapola em muito o limite suportado pela cidade. Nesse caso, além de impostos, combustíveis e danos ao meio ambiente, quem opta por dirigir todo dia precisa se preocupar com rodízios e engarrafamentos semanais.
Mesmo assim, há quem prefira passar por esse tipo de stress a ter que enfrentar um transporte público ou apelar para meios de transporte alternativos, como a bicicleta. É claro que boa parte dessa decisão se deve ao fato de que nem todas as prefeituras investem como deveriam nesse tipo de serviço, deixando o motorista sem opção.
Porém, uma invenção do Instituto de Tecnologia Massachusetts (MIT) pode ajudar a desafogar o trânsito dessas regiões, oferecendo um veículo pequeno e que pode ser usado em parte do trajeto para o trabalho. Mas, antes, ele precisará enfrentar algumas dificuldades e ser bem-sucedido na fase de testes.

CityCar: veículo elétrico e dobrável

Já faz alguns anos que o grupo de pesquisa SmartCities, do MIT, começou a empregar seus esforços em um projeto que parece ir de encontro ao rumo da urbanização atual: em vez de adequar as cidades aos carros, o Professor William J. Mitchell e sua equipe pretendem fazer com que os veículos se adaptem ao espaço público. Com isso nasceu o CityCar, um automóvel pequeno e que pode ficar ainda menor.
Financiado pela empresa General Motors, o projeto foi criado em 2003 e reuniu estudantes de diversas áreas, como arquitetura, planejamento urbano, ciência da computação e engenharia mecânica. A discussão entre esses diferentes pontos de vista levou à criação desse veículo elétrico de proporções reduzidas, que pode ser dobrado — literalmente — e alinhado em fila, economizando espaço em vagas de estacionamento, por exemplo.
Porém, esse veículo também teria uma maneira diferente de ser usado. Esqueça o conceito de carro particular para ir e vir: nos planos de mobilidade para o futuro, o CityCar será compartilhado por diversos motoristas, que poderiam usá-lo para chegar até a estação de trem ou metrô mais próxima, agilizando assim parte do trajeto.

Hiriko Fold, o carro da cidade

No fim de 2009, um grupo basco começou a se interessar por veículos pequenos e elétricos, que pudessem ser usados por cidadãos da região espanhola. A ideia foi em frente e um consórcio foi criado, com o objetivo de desenvolver uma solução para esse tipo de público. Não demorou muito para que os investidores chegassem ao grupo do MIT, responsável pelo CityCar.
Comparação do tamanho do Hiriko com outros carros (Fonte da imagem: Reprodução/Hiriko)
Em parceria com o MIT e com o governo espanhol, o consórcio conseguiu levantar alguns milhões de dólares e investir no desenvolvimento do carro. Batizado de Hiriko — que em língua basca quer dizer “da cidade” —, o veículo possui dois assentos e, ao ser dobrado, passa de 2,5 metros de comprimento para apenas 1,5 metro. Isso permite que três automóveis como Hiriko Fold sejam estacionados na mesma vaga ocupada por um carro comum.
Motorista e passageiro entram e saem por uma porta central, que abre para cima e também serve de para-brisa. Além disso, para economizar espaço, volante e pedais foram substituídos por uma espécie de manche, parecido com o de aeronaves: empurrá-lo para frente faz o Hiriko acelerar e, para trás, diminuir a velocidade. Para a esquerda ou direita, o carro vira, fazendo curvas.

Que tal estacionar de lado?

Outra característica interessante do modelo é o fato de que suas rodas são capazes de rotacionar 60 graus. Isso possibilita, por exemplo, que o carro possa estacionar de lado e rodar em torno do seu próprio eixo, tornando a temida baliza muito mais fácil de ser executada.
Foto do Hiriko já dobrado e estacionado, ocupando 1/3 de uma vaga normal (Fonte da imagem: Reprodução/Hiriko)
É claro que tanta economia de espaço e a ausência de combustível fóssil trazem algumas desvantagens. A principal delas é o fato de que o veículo não ultrapassa os 50 km/h e tem autonomia para andar, no máximo, 120. Sendo assim, o Hiriko Fold é ideal para trajetos curtos e urbanos. E engana-se quem pensa que ter carro elétrico é sinônimo de veículo parado, recarregando a bateria: uma carga completa pode ser realizada em apenas 15 minutos.
Por causa do baixo peso e das pequenas dimensões, o Hiriko Fold nem mesmo seria considerado um carro de verdade em alguns países, podendo ser registrado como quadriciclo, por exemplo, o que dispensaria a carteira de motorista em algumas nações.

Produção e testes do Hiriko Fold

Em abril deste ano, o grupo responsável pelo consórcio iniciou uma produção de testes do veículo na cidade de Vitoria-Gasteiz, no norte da Espanha. Com isso, as empresas envolvidas no processo pretendem vender o minicarro para diversos municípios europeus e, no momento, Barcelona, Berlin e outros já planejam aderir ao novo meio de transporte. Quem também manifestou interesse pelo projeto, de acordo com a BBC Future, foi a cidade de Florianópolis, no estado de Santa Catarina.
O sistema de uso será muito parecido com o de bicicletas que já existe em algumas regiões. O usuário retira o veículo em uma estação, mediante pagamento, e deixa-o na estação de destino, possibilitando que outro usuário do sistema também possa usá-lo.
Dessa forma, em vez de usar um carro próprio para percorrer todo o trajeto de casa até o escritório, uma pessoa poderia caminhar até o ponto do Hiriko, usar o veículo elétrico para chegar até a estação de trem ou metrô e, a partir daí, seguir para o trabalho: é mais econômico, menos poluente e, de quebra, favorece um trânsito menos caótico.

Projeto precisa superar dificuldades

Como era de se esperar, nem tudo está resolvido. Para ser bem-sucedido, o projeto terá que resolver alguns problemas de logística e operação. Uma dessas dificuldades é a disponibilidade desses automóveis em todas as estações.
No sistema atual, um caminhão fica responsável por distribuir melhor as bicicletas entre os pontos do sistema, mas com carros em vez de bikes a tarefa fica um pouco mais complicada. Não dá para confiar na boa vontade de quem usaria o Hikiro Fold para que o veículo fosse estacionado nas estações que mais precisam de unidades no momento.
Talvez pudesse existir um sistema de recompensa, em que o usuário fosse gratificado com créditos caso devolvesse o Fold na estação certa ou verificar, por meio do smartphone, as estações com mais disponibilidade e alugar o carro com algum desconto.
Hiriko consegue ficar menor do que o Smart, da Mercedes-Benz (Fonte da imagem: Reprodução/Hiriko)
Apesar de pequeno, o Hikiro Fold possui seu chassi reforçado, o que o torna resistente a acidentes. Obviamente, levando em consideração que ele será usado apenas dentro das cidades e que não alcançará uma velocidade alta.
Os primeiros desses automóveis devem chegar às cidades europeias em poucos meses e, por enquanto, já foram construídos cerca de 20 unidades do Hikiro Fold para demonstração e testes. A equipe também tem trabalhado em novos modelos, incluindo um caminhão para entregas de curta distância, chamado de Laga, e um carro conversível batizado de Alai. Há planos de que até mesmo uma minivan para nove passageiros integre a frota de carros dobráveis.
O para-brisa é a porta de entrada e saída do motorista e passageiro (Fonte da imagem: Reprodução/Hiriko)
Porém, o projeto possui outra barreira a ser vencida: o preço. O Hikiro Fold começa a ser vendido para o consumidor comum em 2013, pelo preço de US$ 16,4 mil (cerca de R$ 33,1 mil), alguns milhares de dólares a mais que o Smart, da Mercedes-Benz. Parece um valor muito pouco competitivo se levarmos em conta que, por alguns milhares de dólares a menos, um consumidor poderia optar por um carro mais funcional.
Por enquanto, parece que a aposta para o uso do veículo vai cair mesmo no sistema público de compartilhamento. Por enquanto, só nos resta esperar para ver como o projeto se sairá nos próximos anos.

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